Chuvas trazem perigo de dengue
O período chuvoso exige alerta contra dengue. Nesta época, há proliferação do mosquito da dengue, Aedes aegypti, segundo o gerente de Controle de Vetores do Distrito Federal, Rodrigo Mena, para quem a conscientização da sociedade é a melhor maneira de impedir o avanço da doença. O cuidado e atenção da população em não deixar água parada deve ser maior no período chuvoso, mas, segundo ele, apesar das visitas constantes dos agentes de saúde, uma significativa parcela da população não toma cuidado com os criadouros. “Há casos em que toda vez que o agente volta ao local o problema persiste”, enfatiza. Com as pancadas de chuvas e os dias ensolarados, o clima fica favorável à eclosão dos ovos do mosquito. “Sendo assim, pretendemos conscientizar a população de que no período chuvoso há um aumento dos criadouros e consequentemente do risco da doença”, enfatiza. Rodrigo Mena explica que os ovos podem resistir até 500 dias nas paredes secas dos recipientes, até que tenham condições ideais de temperatura para se transformem em larvas e, posteriormente, em mosquitos.
Durante as visitas, as equipes avaliam entulhos, pneus expostos à ação das chuvas, canos, vasos de plantas, caixas d’água, ralos e outros recipientes que podem servir de criadouro. O objetivo é orientar a população sobre os perigos da doença. Não deixar água parada em possíveis criadouros como pneus, garrafas plásticas, calhas e vasos de plantas. “Instruímos as pessoas a não deixar acúmulo de água e jogar areia em vasos de plantas”, diz um agente de vigilância ambiental. Na cidade Estrutural, há muito lixo, latinhas e pneus velhos expostos à beira da rua, ambiente propício para a proliferação do mosquito transmissor da dengue. Na casa da moradora Káthia Gomes, 18 anos, os agentes encontraram larvas do mosquito em um vaso velho, encostado no muro. “Procuro não deixar água acumulada, esse foi só um descuido. Mas foi bom eu saber porque aqui tem três crianças”, declarou.
O agente de vigilância ambiental, José Aparecido, diz que a maior dificuldade encontrada para a realização do trabalho é não encontrar os moradores nas casas e o fato de a maioria não cumprir as recomendações. Ele especifica que após as visitas nas residências é feito um retorno em 60 dias. Em todo o DF, existem sete escritórios que realizam o trabalho de combate à dengue. Ao todo, são 439 agentes de saúde, que fazem visitas diárias.
ÁREAS DE RISCO
O gerente de Controle de Vetores do DF ressalta que em todas as regiões existem micro-setores com áreas problemáticas de maior risco. No DF, a região com maior número de casos registrados em 2009 foi São Sebastião, onde uma pessoa morreu. A vítima, cuja identidade não foi divulgada, é uma mulher. Ela teve dengue hemorrágica, a forma mais grave da doença. Na região, já foram registrados outros nove casos, em 2009. Segundo dados da Secretaria de Saúde, de janeiro a outubro foram registrados, em todo o Distrito Federal, 1.497 casos suspeitos e 397 confirmações. Quase 70% dos casos confirmados são de pessoas que acreditam ter adquirido a doença no próprio DF. Em comparação ao mesmo período de 2008, houve redução de 53% dos casos notificados e de 29,1% dos confirmados. A região com o maior número de casos registrados neste ano foi Planaltina, com 122, em segundo, Estrutural e Sobradinho, com 22 e 21 casos.
SERVIÇO
Não deixar água acumulada em vasos de plantas e xaxins e colocar areia grossa nesses recipientes
Não deixar pneus velhos abandonados
Não deixar destampadas caixas d'água, poços, latões e filtros
Trocar diariamente a água de bebedouros de animais
Jogar fora materiais que acumulem água, como copos e latas
Fonte: Tribuna do Brasil - 20/10